O MÉDICO DISSE PRA NÃO FICAR FAZENDO DESPEDIDA DE COMIDA..
Mas é tão inevitável...
Quando a gente toma essa decisão, sabe que muitos cortes serão feitos... muita coisa nova vai aparecendo, muito conteúdo bem guardado vai ganhando um espaço de expressão... e isso dá muita ansiedade.
Pensar no NUNCA MAIS não é facil.
Nunca mais aquele copão de água de num calor de 38ºC... nunca mais X-Burguer... não inteiro pelo menos. Uma mordida quem sabe...
Mas aquela coisa louca nunca mais. Agora é DISCIPLINA. CONTROLE.
Mas é inevitável que nós, como psicólogas, com essa psicanálise correndo nas veias, não vejamos o significante que há nas entrelinhas do que é e como funciona a cirurgia bariátrica. Está muito latente conversarmos desse significante eu e a Jana, até por whats digitando bem ligeirinho poc poc poc das teclinas alucinadas buscando organizar o novelo das idéias, perguntando qual propósito está tão intrinsecamente aliado ao nosso desejo? Que queremos afinal? De qual demanda produzimos a obesidade, e que caminho percorreu até a decisão de um corte físico?
Pra que precisamos disso?
Agora está muito próximo desse dia, e quanto mais ele se aproxima, mais se "encurralam" as verdades que até então nem sei se vinham à tona...
O que a gente sabe bem até agora, é que certamente a comida tem um valor muito essencial pra nós... a gente não se alimenta para nutrir o corpo; a gente alimenta nossas emoções, - e o objeto contemplado foi a comida.
Na primeira consulta com a psicóloga da clínica, ela pediu que eu contasse como é um dia da minha vida, incluindo a rotina alimentar. Fui contando: acordo, tomo café, suco bla bla bla bla ... almoço bla bla bla bla... e na janta, eu paro e penso... O que é que eu quero comer.. hummm que vontade daquele spaguetti, quem sabe um molhinho bolonhesa, não não, alfredo não, alho e óleo simmmm adorroooo... Eis que de repente #ParaTudo ela me diz: "ahhh então é nessa hora que voce alimenta suas emoções"... Caracaa o que ela quiz dizer com isso? Parece tão óbvio agora que saiu da boca dela isso! Eu pairei sobre aquela frase lentamente, como uma folha caindo de uma arvore flutuando na minha própria verdade que no fundo até sabia, mas nunca tinha parado pra pensar... Aquele momento sagrado de pensar na comida como algo extra-espetacularmente especial, como solução dos meus problemas, como prêmio por um dia corrido, como perdão para meus pecados... A comida com um prazer acima de qualquer lei, de qualquer tabela calórica, de triglicerídeos ou pressão alta. "Foda-se. Eu mereço"
Acho que a frase do obeso é essa né, ... Eu mereço. Eu posso. Quero AGORAAAAA...
Achar que a comida compensará qualquer que tenha sido o estrago do dia. Mas também serve de premio de consolação.. e porque não de comemoração? A comida é aquela "melhor amiga" que voce conta com ela pra tudo... voce pensa numa alegria, TEM COMIDA LÁ......
Aí vem o doc e diz: "nada de ficar fazendo despedida de comida"... e que medo de perder isso... de sentir saudade... medo de solidão
E lá na solidão, o que tem lá de tão ruim afinal? As pessoas tem uma mania de felicidade né.. a solidão fica parecendo tão triste.. Epa, mas eu tenho medo de solidão! Não sei lidar com isso!!... Até então tinha aquele reconforto alí na geladeira... mas agora sei que não tá lá a solução.
Sabe-se lá se tem solução... o vazio não tem solução.
Ele simplesmente está lá.
Fazer a bariátrica significa então assumir essa responsabilidade totalmente... completamente... Agora eu não mais coloco a culpa nos outros mas sim, mudo o foco...
A responsável por mim agora sou eu!
A culpa não é do mundo, não é do sistema, não é do McDonald's, nem das cores das embalagens. Eu não mais sou influenciada por essa emoção que eu julgava vir de fora. Estava alí o tempo todo, no meu mais profundo ser, as emoções abafadas para servir a demanda do mundo... ahhhhh Freud, Freud...
Sua teoria sobre o amor se encaixa como uma luva aqui...
E então me aproprio de mim, das minhas próprias verdades e convicções, assumindo o risco de não agradar o planeta e de não ser ecologicamente correta...
A busca não é pela felicidade, nem pela estética.
O que eu busco definitivamente SOU EU.
Fazer a bariátrica significa então assumir essa responsabilidade totalmente... completamente... Agora eu não mais coloco a culpa nos outros mas sim, mudo o foco...
A responsável por mim agora sou eu!
A culpa não é do mundo, não é do sistema, não é do McDonald's, nem das cores das embalagens. Eu não mais sou influenciada por essa emoção que eu julgava vir de fora. Estava alí o tempo todo, no meu mais profundo ser, as emoções abafadas para servir a demanda do mundo... ahhhhh Freud, Freud...
Sua teoria sobre o amor se encaixa como uma luva aqui...
E então me aproprio de mim, das minhas próprias verdades e convicções, assumindo o risco de não agradar o planeta e de não ser ecologicamente correta...
A busca não é pela felicidade, nem pela estética.
O que eu busco definitivamente SOU EU.
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